A Câmara Municipal de Guimarães propõe-se a construir uma nova via rodoviária a ligar o topo da Avenida D. João IV à freguesia da Costa, junto à Academia de Ginástica, sobre o corredor onde hoje existe uma Ecopista integrada numa zona verde no meio urbano. Este site reúne a história deste espaço, explica a proposta e junta as vozes de quem o usa todos os dias.
Imagem aérea do estudo apresentado pela divisão de Mobilidade da Câmara Municipal de Guimarães em Abril de 2025. As duas infra-estruturas correm quase sempre coladas, sobrepondo-se mesmo tanto no início como no final: a mais fina é a Ecopista, do lado direito, e a mais grossa, do lado esquerdo, é a estrada proposta. Traçado a ser confirmado do novo PDM proposto pela CMG em Setembro de 2026.
Este corredor nasceu como via férrea, ao serviço de passageiros e mercadorias entre Guimarães e as localidades vizinhas. Como a maior parte das linhas secundárias do país, acabou por ser desativada e o traçado ficou disponível para um novo uso.
A Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães foi uma empresa que construiu e explorou o troço entre Trofa e Fafe da Linha de Guimarães, fundiu-se com a Companhia do Porto à Póvoa e Famalicão, formando em 14 de Janeiro de 1927 a Companhia de Ferro do Norte de Portugal.
Esta linha nasceu em 1883, como um projecto mais amplo e ambicioso de bitola métrica (via estreita) que ligaria o Porto a Fafe. Projectada a partir da Linha do Minho na Trofa, passou por Vizela e chegou ao coração da cidade de Guimarães em 14 de abril de 1884, posteriormente estendeu-se a Fafe. A construção desta ligação ferroviária foi impulsionada pela necessidade de escoar a produção têxtil e agrícola desta zona do país.
Em 16 de Abril de 1891, a Gazeta dos Caminhos de Ferro reportou que a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães tinha sido autorizada a construir e explorar uma linha entre Guimarães e Fafe. A ligação de Guimarães a Fafe foi inaugurada em 21 de Julho de 1907, esta povoação passou a fazer parte da zona metropolitana do Porto. O troço ferroviário entre Guimarães e Fafe encerrou em 1986, tendo sido posteriormente transformado numa ciclovia.
O antigo leito da linha foi requalificado como Ecopista — um percurso pedonal e ciclável, sem tráfego motorizado, partilhado por quem se desloca a pé, de bicicleta, com crianças, com cães, ou simplesmente a passear.
Este troço específico tem 2,5 km, mas faz parte de uma rede de Ecopistas com uma extensão superior a 15 km.
O uso diário promove uma cidade sustentável e amiga do ambiente, facilitando a mobilidade em modos suaves e incentivando à prática desportiva, contribuindo assim para o bem-estar e saúde das famílias e dos cidadãos.
A 1ª fase da Ecopista foi inaugurada em 22 de setembro de 2018, no âmbito do programa da "Green Week" e do Dia Europeu Sem Carros, pelo Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, em conjunto com o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães da altura, Domingos Bragança.
A Câmara Municipal de Guimarães propõe construir uma nova via rodoviária sobre este corredor, ligando o topo da Avenida D. João IV à freguesia da Costa. Eis o que se sabe sobre a proposta até ao momento.
A primeira referência a esta nova ligação rodoviária surge num estudo apresentado pela divisão de Mobilidade da Câmara Municipal de Guimarães, ainda durante o anterior executivo, em Abril de 2025. Esse estudo, na secção "Estudos e Soluções para a Mobilidade Urbana em Guimarães", apresenta 4 novas vias rodoviárias para a cidade de Guimarães.
Nesse estudo, a proposta da nova via rodoviária a ligar o topo da Avenida D. João IV à Costa, junto à Academia de Ginástica, é apresentada com o intuito de descomprimir a Av. D. João IV e servir como alternativa dessa mesma avenida à zona nordeste da cidade.
Na Assembleia Municipal de Guimarães de 18 de Junho de 2026, um cidadão fez uma intervenção a questionar a Câmara Municipal de Guimarães e os vários grupos parlamentares sobre a intenção desta nova via rodoviária.
A resposta obtida através do grupo parlamentar do PSD foi política: vaga e evasiva.
As certezas sobre a intenção do executivo chegaram finalmente a 11 de Setembro de 2026, aquando da apresentação por parte do Município de Guimarães da nova revisão do Plano Director Municipal. Referindo a mobilidade como o terceiro grande eixo da revisão do PDM, o presidente Ricardo Araújo anunciou a intenção de cinco novas ligações rodoviárias, sendo uma delas a ligação entre o topo da Av. D. João IV e a Costa.
Defendemos que este corredor deve continuar a servir quem anda a pé e de bicicleta, não o tráfego motorizado. Estas são as nossas razões:
A Ecopista é um dos poucos percursos da zona sem tráfego motorizado. Substituí-la por uma estrada elimina esse espaço em vez de o complementar.
Investir numa nova via rodoviária vai no sentido oposto às políticas municipais de incentivo à bicicleta e à caminhada como meio de transporte.
Vai-se perder um pulmão verde no centro da cidade que, se fosse para mudar, que fosse para promover o ambiente e a sustentabilidade, respondendo aos desafios climáticos com projectos de valor social.
Um investimento sólido e estratégico nos transportes públicos colectivos é a única solução para o congestionamento da cidade de Guimarães, que resulta do uso excessivo do transporte individual.
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